terça-feira, 13 de setembro de 2011

Conflito na faixa de Gaza

Entenda o conflito na Faixa de Gaza
Ernesto Paglia São Paulo

O bombardeio do fim de semana sobre a Faixa de Gaza foi um final violento para a trégua mal-sucedida dos últimos seis meses entre inimigos irreconciliáveis, o grupo palestino Hamas e o governo de Israel. O cessar-fogo negociado pelo Egito, em vigor desde junho, foi desrespeitado diversas vezes pelos dois lados.

O Hamas acusa Israel de não suspender o bloqueio que impõe à Faixa de Gaza desde que o grupo radical assumiu o controle da região, há dois anos e meio. O governo israelense responde que o Hamas não cumpriu a promessa de parar os ataques com foguetes contra cidades do sudoeste de Israel nem reprimiu o contrabando de armas e explosivos para a Faixa de Gaza através de túneis na fronteira com o Egito, também bombardeados no fim-de-semana pela força aérea israelense. 
O bloqueio cria enormes dificuldades para a população de Gaza, um estreito pedaço de terra no oeste de Israel, na fronteira com o Egito. Com apenas um quarto da área do município de São Paulo, a Faixa de Gaza tem mais de 1,5 milhão de habitantes. No futuro, este território deve fazer parte de um Estado para o povo Palestino.

A ONU já afirmou que as barreiras israelenses impedem o abastecimento de produtos básicos, como comida e remédios, e causam uma profunda crise humana nesse espaço marcado pela pobreza e pela superpopulação.

O comerciante Nasser Mohamed Hassan, de Foz do Iguaçu, acompanha o noticiário com atenção especial. Ele tem parentes nos territórios palestinos. "A situação é triste, há muitas crianças e mulheres mortas. Os hospitais não têm mais capacidade para atender ninguém. Se Israel invadir por terra, o massacre vai ser muito maior. O número de vítimas pode ser incalculável", acredita.

Quando impõe barreiras à Faixa de Gaza, o governo de Israel, na verdade, mira o Hamas. O grupo, a maior organização Islâmica nos territórios palestinos, é inimigo declarado do Estado judaico e não aceita sequer o direito de Israel existir.

Militantes do Hamas e de outros grupos armados infernizam a vida nos povoados e cidades israelenses vizinhos à Faixa de Gaza disparando mísseis caseiros, apelidados de "qassams". Os projéteis, de baixa precisão, têm raio de ação relativamente curto, mas o serviço de segurança israelense diz que sua versão mais recente pode atingir alvos a até 40 quilômetros de distância. Os qassams costumam causar mais destruição do que mortes.

Só de novembro para cá, quase 500 mísseis e morteiros teriam sido disparados de dentro da Faixa de Gaza contra alvos do outro lado da fronteira. Um israelense morreu no sábado.

Nos últimos dias, o governo de Israel avisou várias vezes que não iria mais tolerar os foguetes, que causam insegurança constante entre os vizinhos da Faixa de Gaza.

Um casal que mora em Porto Alegre tem filho e nora em Israel. Os dois vivem longe da área dos bombardeios, mas o agravamento do conflito causa preocupação na família. "Fico muito mal porque ele está lá, mas também ficaria se fosse em qualquer outro lugar. Nem as mães judias nem as mães árabes gostam dessas imagens", diz a guia de turismo Ligia Milmam.

Apesar da intranqüilidade e das mortes provocadas pelos foguetes palestinos, a resposta militar de Israel foi criticada inclusive pelo governo brasileiro, que considera os bombardeios desproporcionais à provocação feita pelo Hamas.


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